domingo, 19 de dezembro de 2010

Amor com amor se paga

http://www.youtube.com/watch?v=dlzvBpUSo0M&feature=related

Quando a chuva passar
(Ramón Cruz)

Pra que falar
se você não quer me ouvir?
Fugir agora não resolve nada

Mas não vou chorar
se você quiser partir
às vezes a distância ajuda
e essa tempestade um dia vai acabar

Só quero te lembrar
de quando a gente andava nas estrelas
nas horas lindas que passamos juntos

A gente só queria amar e amar
e hoje eu tenho certeza
a nossa história não termina agora
e essa tempestade um dia vai acabar.

Quando a chuva passar,
quando o tempo abrir,
abra a janela e veja,eu sou o sol
eu sou céu e mar
eu sou céu e fim
e o meu amor é imensidão.

Nota:
É de Erasmo Carlos uma música que eu gosto muito e que assim diz: "Quando o dilúvio passar, nada vai justificar quanto tempo nós perdemos, quanto amor nós não fizemos..."
Acho essa frase belíssima...
Entre outras coisas, viver é mágico.
Viver é fúria e folia rumo ao mágico, como bem definiu Frejat e Jorge Salomão na letra de "Fúria e folia", música do Barão Vermelho que eu também adoro.
Conviver, conhecer, observar, interagir, trocar experiências, ouvir...
Isso tudo é MUITO BOM.
Isso tudo muito acrescenta.
Eu tenho sempre tanto pra falar, tanto pra agradecer...
Falo tanto com os olhos, estabeleço verdadeiros diálogos com olhares e, quem me conhece, interpreta pequenos sinais dando a eles a dimensão que lhes é devida.
Amigos, abraços, ombros, corações, gargalhadas, lágrimas, barulho e silêncio: isso tudo não tem preço.
Amor com amor se paga.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

"O que eu sinto é tão simples: sonho com você!"

http://www.youtube.com/watch?v=yA21Q0LRVlI

Mil perdões
(Chico Buarque)

Te perdôo
por fazeres mil perguntas
que, em vidas que andam juntas, ninguém faz

Te perdôo
por pedires perdão
por me amares demais

Te perdôo
te perdôo por ligares
pra todos os lugares de onde eu vim

Te perdôo
por ergueres a mão
por bateres em mim

Te perdôo
quando anseio pelo instante de sair
e rodar exuberante, me perder de ti

Te perdôo
por quereres me ver
aprendendo a mentir
(te mentir, te mentir)

Te perdôo
Por contares minhas horas
nas minhas demoras por aí

Te perdôo
te perdôo porque choras, quando eu choro de rir
te perdôo por te trair.

Nota:
Trilha sonora do meu sonho de hoje, durante a tarde.
Eu que não costumo sonhar sequer de noite, dormi de tarde e tive um sonho encantado, com direito a começo, meio, final feliz e trilha sonora das melhores.
Acordei apaixonada, plena...
Nunca desejei tanto que um sonho se tornasse realidade e nunca tive num sonho tantos elementos de realidade.
Curioso, interessante, surpreendente...
Vou transcrever aqui  parte da conversa que eu tive com a minha gêmea sobre esse sonho.
Penso que, nessa conversa, o descrevi bem...

Marília diz:
Cheguei do TJ e desmaiei
Gêmea, tive um sonho lindo... (L)
(...)
Tava lá, abri uma revista, aí logo em seguida, ele chegou acompanhado d um rapaz
E eu escondendo atrás da revista, até q ele me viu...
E ele tava usando aliança de ouro
E no sonho ele dizia q era d um relacionamento do passado
E eu fiquei super c a pulga atrás da orelha
C medo d ter me envolvido c um cara compromissado
Mas essa questão n ficou explicada...
O q eu sei é q num dado momento ele veio conversar comigo e começou a tocar MIL PERDÕES, do Chico Buarque
Pira?!
E eu cantando junto c a música, dando murro c os punhos cerrados na parede...
E ele do meu lado, me observando
Catharina diz:
nossa, no sonho?
que lindo
Marília diz:
Aí, ele pega e me beija, e me beija, e me beija
E me beija
Nossa...
Eu fiquei encantada
Coisa mais... encantada mesmo

Obs.: (...) frase suprimida para evitar maiores caracterizações.


"Sonhos são seus olhos
abertos, bárbaros
sempre os mesmos sonhos
despertos, tão perto..."
(Pérola; RPM)

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O que afigura-se inexplicável, é apenas passível de se sentir.

http://www.youtube.com/watch?v=T_seMS5GHe4

Vapor barato / Flor da pele
(Waly Salomão - Jards Macal - Zeca Baleiro)

Oh, sim, eu estou tão cansado
mas não pra dizer
que eu não acredito mais em você
com minhas calças vermelhas
meu casaco de general
cheio de anéis

Vou descendo por todas as ruas
e vou tomar aquele velho navio
eu não preciso de muito dinheiro, graças a Deus
e não me importa, honey

Minha honey baby
baby, honey baby
oh, minha honey baby
baby, honey baby

Oh, sim, eu estou tão cansado
mas não pra dizer
que eu tô indo embora
talvez eu volte
um dia eu volto
mas eu quero esquecê-la
eu preciso

Oh, minha grande
oh, minha pequena
oh, minha grande obsessão
Oh, minha honey baby
baby, honey baby
oh, minha honey baby
honey baby, honey baby, ah

Ando tão à flor da pele
que qualquer beijo de novela me faz chorar
ando tão à flor da pele
que teu olhar, flor, na janela me faz morrer
ando tão à flor da pele
que meu desejo se confunde com a vontade de não ser
ando tão à flor da pele
que a minha pele tem o fogo do juízo final.

Um barco sem porto, sem rumo, sem vela.
Cavalo sem sela.
Um bicho solto, um cão sem dono, um menino, um bandido,
às vezes me preservo, noutras suicido.

Nota:
Fiquei emocionada ao saber que a letra dessa música é do poeta Waly Salomão, concretista brasileiro dos melhores.
Da sua obra, destaco o poema "Balada de um vagabundo", composição assinada em parceria com Cazuza e Frejat e gravada por Cazuza no primeiro álbum solo deste, álbum este cuja música de trabalho ou, como bem denomina Eduardo Dusek "boi de piranha", foi "Exagerado", hit que dispensa qualquer comentário.
"Balada de um vagabundo" traz em sua composição três frases que muito me agradam, quais sejam:
"Um vício só, pra mim, não basta. É uma inflação de amor incontrolável".
Inflação de amor... isso não é deslumbrante? Adorei essa construção.
Adiante, a frase aparece assim: "Um vício só pra mim é pura cascata!" Repare na mudança do significado que foi operada nas frases.
A terceira, é a seguinte: "Maracujá de gaveta, num prédio vazio, num terreno baldio: sepultado e, logo após, abandonado".
Coisa pra concretista admirar e entender.
Bom, quanto à letra em questão, o que eu tenho a dizer é que considero essa música de uma beleza sem tamanho e muito densa.
Obsessões... eu entendo bem disso...
Não que isso seja bom, isso é apenas uma constatação: entendo de obsessões.
Nelson Rodrigues se definia como uma flor de obsessão e eu tomei pra mim o direito de também assim me definir. Achei pertinente e me coloquei a imaginar como seria uma flor de obsessão...
Seria uma rosa, certamente, cujas pétalas teriam um brilho capaz de ofuscar a visão. Atrair, seduzir... Seria vermelha: cor de sangue. Teria um perfume escandaloso, desses de desafiar a ciência a explicar o estranho efeito que toma de assalto os homens que se aproximam para senti-lo.
Uma flor de obsessão.
Uma dessas intensidades arrebatadoras, inexplicáveis.
O que afigura-se inexplicável, é apenas passível de se sentir.
Pra concluir, "Flor da pele", no fim, assim diz: "Às vezes, me preservo. Noutras, suicido".
É o preço que se paga pela intensidade.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

À minha gêmea, com amor.

http://www.youtube.com/watch?v=lCugQjzF7zc

"Tem sempre alguém querendo ouvir os meus problemas
tem sempre me perguntando como eu tô
e nem adianta dizer: 'Não houve nada'
talvez pareça que eu tô sempre cansada

Todo mundo quer cuidar de mim
e, na verdade, o que eu quero é sair
todo mundo quer cuidar de mim
e, na verdade, o que eu quero é cair".
(Todo mundo quer cuidar de mim; Paula Marchesini)

Comoção.
Eu escrevo agora sobre uma irmã que a vida me deu.
Gêmea.
Cinco anos mais nova e maravilhosa: plena.
É uma inspiração, um modelo.
Tenho por ela profunda admiração.
E carinho, e amor...
E tudo aquilo que não se nomina, porque as palavras são insuficientes pra descrever o que olhares, gargalhadas e lágrimas tão facilmente traduzem em determinados momentos.
E todo o conforto que abraços verdadeiros trazem consigo: preenchem e consolam.
Não tenho palavras pra agradecer e, nem que eu vivesse mil anos e fizesse por você tudo o que você fez por mim, eu agradeceria de forma satisfatória.
O que eu queria que você soubesse é que agradeço a Deus pela sua presença na minha vida, porque você, gêmea, faz toda a diferença.
Você veio pra somar, pra ensinar, pra dividir... Pra integrar.
Você é amor, atenção, carinho, solidariedade, consideração, presença.
A vida nos fez, por meio de um encontro que a gente sabe que não foi nada por acaso, gêmeas!
Pra sempre no meu coração e na minha vida!
Te amo demais, demais, demais!
Demais e pra sempre, só que esse pra sempre não acaba.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Uma coisa de cada vez

http://www.youtube.com/watch?v=anFxDsg20KE

Todo o sentimento
(Chico Buarque)

Preciso não dormir
até se consumar
o tempo da gente
preciso conduzir
um tempo de te amar
te amando devagar e urgentemente
pretendo descobrir
no último momento
um tempo que refaz o que desfez
que recolhe todo sentimento
e bota no corpo uma outra vez
prometo te querer
até o amor cair
doente, doente
prefiro então partir
a tempo de poder
a gente se desvencilhar da gente

Depois de te perder
te encontro com certeza
talvez num tempo da delicadeza
onde não diremos nada
nada aconteceu
apenas seguirei
como encantado ao lado teu

Depois de te perder
te encontro com certeza
talvez num tempo da delicadeza
onde não diremos nada
nada aconteceu
apenas seguirei
como encantado ao lado teu.

Nota:
"Pretendo descobrir no último momento um tempo que refaz o que desfez, que recolhe todo sentimento e bota no corpo uma outra vez".
Curioso, mas essa frase me remete a um trecho de "Caixa de carbono", poema de Lucivânia Fernandes, no qual, entre outras coisas, diz:
"Todas essas coisas, carne, eletricidade, desejo, tempo, o espaço vazio da cama, o silêncio atroz do telefone,
recolhi.
Não um banquete de traças ou os tesouros de uma namorada velha,
que remenda rugas e retalhos,
mas um amor ainda jovem e imaturo,
preso na sua própria eternidade e gestação.
Na minha caixa, esta caixa: cérebro, papel, ou útero,
nem arca, nem armário, nem gaveta, nem baú...,
a poesia inquieta e impura
do que não vivi,
das coisas jogadas fora
de Manoel de Barros,
os males todos de Pandora,
esse amor imprestável, desperdiçado,
desgraçado e inútil,
molécula de carbono
com que seria possível
recomeçar o mundo".

Recolher, guardar, eternizar... tornar memória.
Passemos às frases desconexas...
A fragilidade é saudável quando faz refletir e traz entendimento.
Se sentir vontade de chorar, chore: não deixa de ser um meio eficaz de extravazar a dor.
Goste mais de si próprio e entenda que os seus problemas só você pode resolver.
Compreenda que as mágoas e os problemas dos outros não são problemas seus: cada um com o seu pesar.
Enxergue-se nitidamente: se dizem que você é admirável e tem muito mais virtudes que vícios, por quê insistir em acreditar no contrário? Chega de auto-sabotagem.
Uma coisa de cada vez? Sim, sim...
Uma coisa de cada vez pra ser cada vez melhor e, por fim, enxergar-se inteira e plena: apta a reconhecer-se.
Estou ensaiando o primeiro passo.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

"Nem sempre tem vento, mas sempre tem jeito pra dar, quando se trata de vida ou de morte"

Corre corre
(Rita Lee - Roberto de Carvalho)

O ano passado passou tão apressado
e eu sei
que foi um corre, corre, corre danado
o ano inteiro eu passei sem dinheiro
e eu sei
que foi um tal de segurar essa peteca no ar
como se fosse empinar papagaio

Nem sempre tem vento, mas sempre tem jeito pra dar
quando se trata de vida ou de morte
e se não me engano, no próximo ano vai vir
aquela dose de cicuta que eu vou ter que engolir
como se fosse um suco de fruta
como se fosse eu a grande maluca

Corre, corre, corre
corre, corre, corre.

Nota:
2010 até agora tem sido um ano de muitas lágrimas.
Muito esforço recompensado, muitas conquistas, muitas escolhas...
MUITO APRENDIZADO, e tudo aquilo que não se dissocia do aprendizado.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

"Romântico é uma espécie em extinção"

De todas as maneiras
(Chico Buarque de Hollanda)

De todas as maneiras que há de amar
nós já nos amamos
com todas as palavras feitas pra sangrar, já nos cortamos

Agora, já passa da hora
tá lindo lá fora
larga a minha mão
solta as unhas do meu coração, que ele está apressado
e desanda a bater desvairado quando entra o verão

De todas as maneiras que há de amar
já nos machucamos
com todas as palavras feitas pra humilhar, nos afagamos

Agora, já passa da hora
tá lindo lá fora
larga a minha mão
solta as unhas do meu coração, que ele está apressado
e desanda a bater desvairado quando entra o verão.

Nota:
ADORO essa música.
Na minha opinião, das mais belas canções de Chico.
Densa e intensa que só ela. Não poderia ser diferente: define o amor.
Fala sobre amar.
Especialmente a parte que diz que "com todas as palavras feitas pra humilhar, nos afagamos" eu acho belíssima...
Por amar demais, por querer demais, por desejar demais, há quem se defenda agredindo, humilhando... e logo em seguida, tomado por um arrependimento brutal, volta atrás e pede perdão, afaga, acaricia, se retrata...
Tão difícil pra uns e outros entender e, pra mim, tão simples...
Isso também é amor.
Amor não é só carinho, delicadeza, felicidade... é discórdia, dor e agressão também.
Cada pessoa sente e manifesta (ou não) do seu próprio jeito o amor que sente.
O que a gente sabe do amor é só do amor que a gente sente (e olhe lá...)
Apesar de toda a dor que pode haver, amar me faz muito muito muito bem.
Romântico, como já dizia Vander Lee, é uma espécie em extinção.

http://www.youtube.com/watch?v=qhSrmV-YDO8

"Românticos são poucos
românticos são loucos desvairados
que querem ser o outro
que pensam que o outro é o paraíso
românticos são lindos
românticos são limpos e pirados
que choram com baladas
que amam sem vergonha e sem juízo

São tipos populares que vivem pelos bares
e mesmo certos vão pedir perdão
e passam a noite em claro
conhecem o gosto raro
de amar sem medo de outra desilusão

Romântico é uma espécie em extinção
romântico é uma espécie em extinção".